Sobre me sentir livre…

Há pouco tempo mudei de trabalho, casa, cidade, estado… Enfim, uma mudança levou a outra e todas trouxeram suas experiências. Durante um período, na fase de transição, precisei viajar com frequência entre as cidades velha e nova. Felizmente, não precisei fazer essas viagens sozinha, sempre tinha companhia e revezava a direção. Hora conversava, hora cochilava, várias viagens de carro normais, sem novidades.

As viagens duram, em média, 4 horas. A rodovia não é muito movimentada mas bastante sinuosa.

Certa ocasião precisei fazer uma dessas viagens sozinha, nunca tinha feito um trajeto assim sem companhia. Nunca houve necessidade de dirigir por tanto tempo. Enfim, muitas frases do tipo ” eu nunca”.
O início do trajeto foi normal, segui a rotina. Fiz uma prece, ouvi músicas da estação de rádio, mais tarde cantei com as músicas do CD. E conforme a viagem ia passando, conforme passavam as curvas, os pinheiros e os plátanos com folhas alaranjadas um sentimento de liberdade foi tomando conta de mim. Me senti tão independente, tão empoderada como nunca.

Eu sentia que era capaz de definir, sozinha, meu destino. Destino não só da viagem, mas aquele que está ligado à vida. Parece poesia ruim e um tanto clichê, mas nunca tinha me sentido assim sobre mim mesma. Perceber isso me deixou tão feliz quanto triste. A felicidade óbvia associada ao empoderamento, e a tristeza por nunca ter me sentido assim antes. 

Então, deixo como sugestão de terapia: Viaje só, dirija pra longe e aproveite o percurso!